quarta-feira, 29 de abril de 2015

Se eu pudesse te dar um conselho...

Se eu pudesse te dar um conselho eu diria, não leve a vida tão a sério.
 
Não faça dos momentos ruins fardos tão difíceis de carregar. Os momentos ruins chegam, não adianta fugir deles. Eles estão nos atrasos, das pessoas e dos momentos da vida. Eles estão numa doença fora de hora, na noite sozinha na cama, na solidão em uma casa cheia, nas palavras não ditas, nas expectativas frustradas. Aprendi viajando que até mesmo em Paris, ou no mar azul do Caribe, os momentos ruins aparecem. Quando chegarem, observe, entenda, e não queira que passem depressa, apenas levante e siga em frente. Ninguém é responsável pelos momentos ruins além de nós mesmos. Só coloque-os nas costas, e carregue-os até a próxima estação.
 
Não sofra com a dúvida, com a indecisão. Siga o que o seu coração mandar. Não importa o caminho que tomar sempre haverá coisas boas e ruins pra encarar. Decidiu ficar, não pense no que deixou de encontrar, de conhecer. Decidiu seguir adiante, não pense no que ficou pra trás. Decidiu comer o bolo de chocolate, coma até a última garfada, se possível lamba o prato. Decidiu correr no parque pela manhã, não pense na cama quentinha, calce o tênis e vá. Decidiu deixar o trabalho de anos numa empresa de prestígio, apenas peça demissão, não pense na carreira que deixou de construir. Vivenciei viajando que sempre haverá milhares de opções, decisões e escolhas. Os caminhos são inúmeros e as opções inesgotáveis, o segredo é apenas decidir, fazer, e usufruir até a próxima decisão.
 
Não faça planos. Sonhe, deseje e acredite, mas não trace planos tão detalhados que são impossíveis ou difíceis de seguir. A vida sabe melhor do que nós o que é melhor. Não deu pra guardar tanto dinheiro quanto planejado, mude os objetivos de compra. Não deu pra conhecer aquele lugar imperdível, conheça um lugar novo na vizinhança. Não deu pra chegar à tempo pra abraçar aquele amigo, faça uma ligação e marque um novo encontro. Percebi que a aventura e a felicidade começam quando tudo começa a dar errado. Perdi o voo, descobri uma nova cidade, fiz novos amigos. Perdi dinheiro, encontrei pessoas boas no caminho dispostas a ajudar. Não consegui o que eu queria, o que eu não queria apareceu na minha frente e era muito melhor.
 
Mantenha os olhos abertos, os ouvidos atentos e a mente quieta. A obstinação e a teimosia dificultam perceber novos caminhos, novas soluções. Viva cada momento, no presente. Deixe o passado e o futuro de fora. Eu nunca quis vir parar nesse lugar, mas as coisas aconteceram, surgiu a oportunidade e aqui estou, feliz!
 
Não faça julgamentos ou comparações. Não haverá de ser melhor ou pior, apenas será diferente. Uma praia da Tailândia poderá ser mais bonita do que uma praia no Brasil? Um encontro com antigos amigos será melhor do que com amigos que acabei de conhecer? Se houver comparações sempre haverá julgamento, e nada, nunca será suficientemente bom. As pessoas e os lugares são do jeito que são, e só.
 
Não crie expectativas, do emprego dos sonhos, da casa ideal, do relacionamento ideal. Aprendi nos meus últimos meses de viagem que a felicidade pode estar no trabalho mais simples, no uso da força braçal ou dos talentos mais natos. Que a casa ideal não precisa ser exclusiva, pode ser compartilhada, pode ter passarinhos cantando pela manhã ou uma vista pro horizonte, pode ser de madeira com frestas no chão, ou muito pequena. E o amor pode estar numa conversa corriqueira, numa ideia compartilhada, num abraço fora de hora, numa música cantada juntos, numa risada de uma piada boba, no silêncio dos pensamentos.
 
Levar a vida à sério, condicionando a felicidade à conquista de um carro novo, de uma promoção de trabalho, da aquisição de uma mobília nova, de uma refeição num badalado restaurante, de um corpo perfeito, de um encontro com os amigos ou na viagem de final de ano, é a maneira mais fácil de viver, e também a mais frustrante. Viver de forma simples e feliz, sem excessos, sem aquisições desnecessárias, sem expectativas com os relacionamentos, trabalhando duro e em harmonia com a natureza, isso sim, é difícil.
 
Depois de quase nove meses viajando pelo mundo sei que tenho mais dúvidas de quando iniciei a viagem. Dúvidas do que ser, do que perseguir, do que desejar, e pra onde ir para alcançar essa vida simples e feliz. Hoje apenas sinto que estou mais tranquila, mais segura e mais corajosa. Por isso que não sou a pessoa mais indicada para sair por aí distribuindo conselhos. O que desejo, é apenas que mais amigos sigam por esse caminho que decidi seguir, e que juntos tenhamos histórias pra contar, e no futuro, conselhos pra compartilhar.
 
Será mesmo que a praia na Tailândia é mais bonita que no Brasil?

domingo, 12 de abril de 2015

Os 10 dias de silêncio.

Não sei bem de onde saiu essa ideia maluca de fazer um retiro de 10 dias de silêncio. Quando eu estava lá, em silêncio de fala, mas em conversa com a minha mente, que mais parecia uma reunião de condomínio de tão confusa e cheia de interesses, esse assunto veio à tona. "Como eu vim mesmo parar aqui?"
Há algum tempo atrás estive pesquisando muito sobre a Índia e seu lado espiritual, e acho que foi dessa pesquisa que tudo isso surgiu. E aí lendo sobre a experiência dos meus amigos, Dri e Manu na Tailândia, fiquei ainda mais curiosa, e então decidi aproveitar a oportunidade e encarar o desafio.
E que desafio! Por algumas vezes pensei que qualquer coisa deveria ser melhor do que estar ali, até mesmo uma prisão ou um hospício (juro que esse pensamento me ocorreu), e eu estava fazendo isso por vontade própria! Ninguém me prendia ali, e eu poderia dar as costas e ir pra alguma praia paridisiaca tomar cerveja e comer camarão, mas o que me fez ficar foi a minha teimosia aliada a uma enorme sede de auto-conhecimento.
A rotina não era nada fácil. Todos os dias acordávamos às 4 da manhã e meditávamos aproximadamente umas 7 horas por dia, mais as aulas de meditação e yoga. A alimentação era restrita à duas refeições vegetarianas, sendo a ultima servida ao meio dia. No café da manhã tinha todos os dias a mesma sopa de arroz. Sim, sopa de arroz no café da manhã! E a noite eu sonhava com uma torrada de queijo (misto quente para os paulistanos)...
Além disso, dormíamos numa cama que era uma esteira com travesseiro de madeira e tomávamos banho de canequinha. Eu levei mais ou menos um 9 dias pra entender como fazia pra lavar o cabelo desse jeito. Fora o calor, que era insuportável durante as noites sem ventilador no quarto. E ainda haviam algumas regras que deveriam ser seguidas. Não escrever nenhum diário, não ler nada, não ouvir música, não deitar em nenhum lugar durante as atividades, não comer nada além das refeições oferecidas, entregar celular e computadores, e não falar, claro. Acho que a parte do "não falar" foi a mais fácil de todas, aliás ajudou muito a manter a serenidade.
Pra mim, definitivamente os primeiros e os últimos dias foram os mais difíceis. No primeiro e no segundo dia achei que ia morrer, que não ia aguentar, que dez dias era uma eternidade, que preferia ficar dez diais trabalhando em um Construction Review do que ficar ali. Mas aí a mente foi se acalmando, o corpo se acostumando às posturas de meditação, e com as aulas de meditação, do terceiro ao oitavo dia, tive meu melhor rendimento. Nunca imaginei que a meditação fosse capaz de me proporcionar momentos como os que experimentei em Suon Mokkh. Às vezes tinha a sensação que aquilo era melhor que sexo, ou ainda melhor que muita droga (ai, se Buda sabe que eu pensei isso), e às vezes, depois da meditação, achava que tinha encontrado a resposta pra muitos dos meus problemas. Mas confesso que esses momentos foram poucos. A maior parte do tempo, sentada no chão, tudo o que eu conseguia pensar era na dor nas costas, na perna, no joelho, no pescoço, ou então no meu plano de viagem ou em burrices do meu passado, ou ainda em coisas banais, como letras de música dos Mamonas Assasinas ou em cenas de filmes bobos como o Virgem de 40 anos. Aaaaa não me pergunte como essas coisas foram parar na minha mente no meio de um retiro de meditação, mas elas estavam lá, infiltradas em outros pensamentos mais profundos sobre minha vida.
Depois de aprender e praticar algumas das lições básicas do Budismo como o desapego, o foco no presente, que tudo é finito, o não julgamento, eu cheguei à algumas conclusões e tive alguns "insights" (muito pessoais e um pouco chocantes pra eu expor aqui). Pela primeira vez na vida tive interesse em aprender mais sobre uma religião. Me identifiquei com muitos dos conceitos e pretendo estudar mais a religião (que aliás é bem complexa) e desenvolver ainda mais esse lado espiritual.
Acho que ainda tenho que dar um tempo e "digerir" tudo o que se passou nesses 10 dias. Ontem pela manhã tudo o que eu queria era sair correndo de lá, estava cansada de tanta meditação e feliz por concluir o retiro, mas posso afirmar que muita coisa mudou dentro de mim. Prova disso é que fiquei 11 dias sem beber, e hoje quando tive oportunidade de beber aquela cerveja bem gelada, simplesmente não tive vontade. Mas comer a torrada de queijo, isso sim, eu comi! Hummmm, e tava uma delícia!





sábado, 7 de fevereiro de 2015

Se tiver medo, vai com medo mesmo!

Conheci uma menina brasileira de 21 anos no hostel que estava hospedada em Barcelona. Algumas horas de conversa, e percebi que ela nasceu e foi criada em uma família de classe média alta carioca.
A menina estava passando por uma situação difícil, de ciúmes e briga com o namorado, no meio de uma viagem de férias financiada pelos pais. E ela simplesmente não soube resolver os seus problemas sozinha. Durante a calorosa discussão que presenciei, eles usaram seus celulares de número brasileiro (imagina quanto isso custava) para ligar para mãe e para o pai, do outro lado do oceano, pedindo ajuda com o que estava acontecendo ali. Demonstravam tremenda fragilidade, dependência, insegurança, e acima de tudo um medo enorme por não saber como agir, longe de tudo aquilo que lhe és familiar. Não julgo a reação dessa menina, porque eu mesma, na mesma idade, fiz ligações do hemisfério norte para que a minha mãe no Brasil tentasse resolver os meus problemas.

Conheci uma outra menina, americana, 19 anos, num hostel na Eslovênia. Menina comunicativa, sorridente, de pais chineses mas criada nos Estados Unidos. Em algumas horas de conversa pude perceber que ela teve uma educação rigorosa, mas ao mesmo tempo de muita liberdade. Ela estava viajando sozinha pela Europa durante dois meses, fazendo couchsurfing (dormindo em sofás de gente desconhecida), de ônibus, planejando a cada dia sua rota e administrando o seu dinheiro. Estava feliz, e já fazia planos para sua próxima viagem.

E aí, pensando nessas duas meninas, fiquei me perguntando: o que diferenciava a atitude delas? Porque uma estava tendo as piores férias da vida e a outra as melhores?A resposta surgiu! O medo! Nós brasileiros nascemos e crescemos num país cheio de medo. Medo de sair na rua, medo de não conseguir emprego, medo de faltar dinheiro, medo de estranhos, medo da solidão, medo o tempo todo, e por todos os lados. E pais como o dessa menina, e também como os meus, obviamente criaram seus filhos protegendo-os desse medo, e dessa insegurança toda. O resultado? Nós brasileiros somos medrosos! Estamos despreparados para enfrentar os problemas da vida, temos medo das mudanças, do novo, e ficamos estagnados. 
Ter medo é natural, enfrenta-los é o que faz de nós pessoas mais felizes e realizadas. No momento que mentalizamos que tudo dará certo, que não ficamos obcecados por controlar todas as situações, que tentamos enxergar o lado positivo até da pior situação, tudo passa a fluir e acontecer da melhor maneira possível.

A viagem da menina americana já terminou. Ela postou um monte de fotos bacanas em diversos países que visitou, e de pessoas que conheceu. Ela também me contou que em alguns momentos teve medo, que se perdeu à noite, que teve que se livrar de um cara que tentou seduzi-la, que perdeu dinheiro comprando passagens erradas, mas nada que ela não soubesse lidar e principalmente tirar lições para a vida.
A viagem da brasileira ainda não terminou. Ela ainda tem mais 7 dias em solo europeu. Sem falar com o namorado terá que se virar sozinha até voltar para o Brasil. Durante sua estada em Barcelona ela saiu somente duas vezes, naqueles ônibus de turismo, sem descer em nenhum ponto. Está contando as horas pra voltar pra casa da mãe.

Sei que essas duas meninas, assim como eu, somos privilegiadas por uma condição financeira bem diferente da maioria da população brasileira. Mas eu, acredito que todas as pessoas, de qualquer lugar do mundo, de qualquer condição social, podem aprender a lidar melhor com seus medos e por fim, vencê-los. Aprender isso daria poder às pessoas, que poderiam ter mais controle de suas vidas, e força para realizar seus sonhos e desejos. Teríamos mais vitoriosos, menos frustrados, e sucessivamente um mundo melhor.

As forças ocultas do universo!

Depois de mais de uma semana dormindo num quarto privado, em airbnb e em casa de amigo, depois de seis meses de viagem, voltei para a vida de hostel em quarto compartilhado.
Ontem era um vai e vem de homens passando de cueca como se estivessem em casa. O mesmo papo de sempre se repete. De onde vc é? Brasil! Eu sou de Nova York. Como se todo mundo no mundo tivesse que saber onde é NY. Da próxima juro que respondo que sou de Porto Alegre, sem falar que sou brasileira!
Coloquei o meu fone de ouvido que serve como repelente, mas a animação desses viajantes de férias não é inibida por um simples fone. Querem conversar, falar, saber por onde vc já esteve na cidade, numa ânsia de não perder nada.
Eu, cansada, só queria ficar na minha, repudiava aquele desfile de corpos, e todo aquele falatório na minha frente! Dormi o dia todo, aproveitando o quarto vazio para relaxar por algumas horas.
Não é fácil, realmente chega a hora que cansa. Cansa de não ter mais privacidade, de dormir com barulho e luz, de ser obrigada a conhecer gente nova, de ser simpática, de vestir a mesma roupa, simplesmente cansa! E eu estava me sentindo cansada quando passei pela recepção sorrindo (isso sempre), e a menina brasileira da recepção me chama pra me apresentar outra brasileira.
Meio de saco cheio conto resumidamente sobre a minha viagem, quase colocando pra rodar a gravação que tenho sobre o tema, toda vez que me perguntam. A menina nem pisca para ouvir o que estou falando, e quando termino, com o olhar mais espantado possível diz: Nossa, como vc é corajosa, gostaria de ter essa coragem! 
Já ouvi isso algumas vezes, mas confesso que hoje teve um valor especial. Me fez lembrar que sim sou corajosa, e que devo jogar esse meu cansaço para baixo da cama, e seguir adiante! Aproveitar cada minuto dessa experiência incrível que muita gente gostaria de experimentar. 
E viva assim aos corpos semi nus passando pela minha frente todas as manhãs!

Parte II de sou corajosa e tenho que espantar o cansaço!
Saio do hostel decidida a embarcar no ônibus para Bilbao que partia as 11 da noite. Coloca toda as malas nas costas, pega metrô, troca de estação e chega com uma hora de antecedência na estação. Vou até o gichê pra comprar a passagem, mas num inteligente sistema de vendas de passagem, para o ônibus que sai daquela estação devo comprar o ticket numa outra estação.
Saio correndo, volto pro metrô, e tento chegar à tempo na outra estação para pegar o bus que saia de lá as 22:45. Chego em cima da hora, mas o guichê de venda de passagens já está fechado. Mas há uma máquina de venda de passagens, minha última chance. Tento de todas as maneiras comprar o ticket mas não funciona de jeito nenhum. Perdi o ônibus. Respira fundo, pega a mochila e volta pro hostel! 
Como sou uma menina de muita sorte o pessoal do hostel me recebeu de braços abertos.
É isso aí, a resistência me persegue, mas eu não to nem aí pra ela! Amanhã tentamos de novo! E vamos que vamos que Bilbao me espera!

Parte III do dia que poderia virar um conto!

Sentada na recepção, relaxando antes de voltar para o quarto, entra o menino brasileiro, namorado da brasileira que tinha conhecido à tarde. Ele está chorando carregando todas as suas malas de volta.
Ele começa a falar com a moça da recepção pedindo desculpas pelo o acontecido.
A mesma moça da recepção que tinha me apresentado a sua namorada agora diz pra ele sentar comigo ali e me pedir alguns conselhos. Eu com certeza poderia ajudá-lo. 
Eu??? Eu mesma??? 
Ele senta ao meu lado e começa a contar a história de briga e paixão entre ele e a namorada. Eles haviam discutido (não entendi muito bem porque), e num acesso de fúria ele tinha resolvido ir embora é deixar a menina ali!
Claro, uma decisão muito coerente com sua idade. Ele tem apenas 21 anos e me conta detalhes de seu longo namoro de um ano, dizendo que se ela realmente amava ele não teria mandado aquela mensagem para um outro carinha há seis meses atrás. Ai, ai, sério? Agora sou terapeuta de um jovem menino apaixonado e inconseqüente.
Nem sei bem o que estou dizendo pra ele, quando ele me pergunta: vc já sofreu em algum relacionamento?
Ai, ai de novo. Sim, se eu não tivesse sofrido não teria nunca me relacionado. Faz parte da vida, faz parte do amor.
E vamos que vamos que amanhã é um novo dia repleto de amor! Disso eu tenho certeza!

Parte IV da saga para Bilbao

Sei que muitos vão ler isso e pensar, "nossa, como ela é criativa para inventar histórias", mas eu juro que tudo descrito aqui reflete a verdade, somente a verdade, e nada mais além da verdade.

Há três dias atrás decidi que visitaria Bilbao. No primeiro dia, decidi que pegaria o bus que partiria pela manhã, e coloquei o despertador do celular pra tocar cedinho. O celular tocou, tocou denovo, e denovo! E eu? Perdi o horário! Uma coisa simples, que as vezes acontece, comigo quase nunca, mas naquele dia aconteceu. Tudo bem, tentamos de novo amanhã. 
No dia seguinte decidi pegar o ônibus da noite, e aconteceu tudo aquilo que contei no post passado.
E aí, finalmente ontem, decidi fazer tudo certinho pra que NADA pudesse dar errado. Coloquei o despertador pra acordar cedo. O despertador tocou e eu levantei. Fui ao terminal de ônibus comprar o ticket para o ônibus. Comprei o ticket com horas de antecedência.
A noite, mais de uma hora antes do horário da partida sai do hostel com destino ao terminal. Cheguei lá, tudo certo, o ônibus está lá, coloco a mala no bagageiro, tudo certo, me sento no meu banco confortavelmente e aguardo.
O ônibus parte com destino à Bilbao! Uhu!!!!
Depois de andar duas quadras o telefone do motorista toca e ele para o carro no meio da rua.
Depois de uns minutos falando no celular, levanta-se e comunica os passageiros.
"Acabo de receber a informação que a estrada que vai até Bilbao está bloqueada por causa da neve. Não poderemos realizar o serviço hoje  e estamos voltando a Barcelona".

Bom, na linha do que acredito, nada nessa vida acontece por acaso. E por algum motivo o Universo não quer que eu vá pra Bilbao. 
Tá bom! Já entendi! Mudança de planos, mudança de rota! E vamos aproveitar um pouco de Barcelona porque ela merece, depois de tudo isso.

P.S: quando retornei ao hostel presenciei, e participei quase obrigada, de uma das brigas de casais mais agressivas que vi na minha vida. Mas essa eu vou deixar pra contar depois, porque se não, ninguém mesmo vai acreditar que tudo isso pode acontecer numa mesma viagem! Heheheh

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Seis meses depois...

Viajei de ônibus, trem, barco, carro, e avião. Fui de bicicleta, andando, de mototáxi, riquixá, metrô, charrete e cavalo. Dormi em quarto com 12 pessoas, com 6, com 4, sozinha, em hotel, airbnb, sofá de amigo, cadeira de aeroporto, barraca e colchonete no chão. Tomei banho frio no inverno, e pelando no verão, fiquei sem banho alguns dias. Comi coisas que não sei o nome, passei fome, comi até morrer, cozinhei, compartilhei comida com estranhos, estranhos compartilharam comida comigo. Fiquei com frio, muito frio, fiquei com vergonha, perdida, com medo, ansiosa, indecisa, triste e muito feliz. 

Visitei 17 países, 64 cidades em 184 dias.

Quando há exatos 6 meses atrás bati a porta da minha casa em São Paulo, deixando tudo pra trás, sentia que aquela era a grande chance para experimentar o desconhecido e me reinventar. O que eu não sabia é que o pano de fundo sim mudaria, mas eu, continuaria a mesma. Seria necessário um grande esforço para a mudança que eu tanto desejava acontecer.

A rotina agora é diferente, mas ainda existe, cometo os mesmos erros, apenas com diferentes pessoas em diferentes cenários. Reafirmo coisas que não sou, encontro o passado no meu caminho e me agarro à ele com unhas e dentes, numa resistência ao novo. Tento controlar o incontrolável, o rumo da vida, os sentimentos no meu coração.

Viajar, definitivamente é uma fuga, é a desculpa perfeita para fazer coisas que não se faria estando diante dos olhos de quem lhe conhece. É libertador, deixa o mundo sem limites, empodera, da força, e confiança. É como uma droga, vicia.
Viajar, acima de tudo, traz auto conhecimento. E como se o olhar pra fora, para as novas paisagens, ajudasse a enxergar o lado de dentro. 

Não sei o que será daqui pra frente. No meu caminho só incertezas. O que agora sei, passado-se os seis primeiros meses, é que quero ser uma pessoa melhor, aceitando as minhas fraquezas, admitindo minhas limitações, num eterno exercício de rever atitudes, posicionamentos e opiniões.

E assim sendo, embarco hoje em uma nova viagem. Que venham os próximos meses!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O ano de Marina

Foi uma febre na rede a retrospectiva do ano elaborada pelo Facebook. Muitos dos meus amigos deram o poder ao Mark (e a alguns algoritmos) de elaborar um resumo dos momentos mais marcantes do seu ano.

Eu inicialmente, como em tudo que vem em ondas como essa, não quis nem saber do que se tratava, mas depois de me render e bisbilhotar "o ano" de alguns amigos, resolvi dar uma chance para que a máquina, e os números de likes nas minhas fotos, definisse os meus momentos mais importantes. Eu realmente estava certa! Como aquele monte de fotos reunidas poderiam resumir o que foi o "meu ano"? Não. Infelizmente não pude aceitar uma retrospectiva despretensiosa como essa, tinha que fazer a minha própria retrospectiva de 2014 de uma forma mais profunda e entender o real significado dos dias que ficaram pra trás.


No passado, achava bobagem essa formalidade de final de ano, desse momento de replanejar e recomeçar, atribuído pelo fim de um calendário. Mas com o passar do tempo, e mais madura, me dei conta de que esse ciclos são importantes, e que as pessoas precisam perceber o fim de algo para iniciar um novo algo. E a cada ano que passa eu tenho dado mais importância para esse ritual de mudança, tentando avaliar o que aconteceu de bom e o que eu aprendi com cada situação, para assim definir metas para o ano que está chegando.


Não sei se por ser uma pessoa analítica, ou por às vezes ter uma visão muito poliana do mundo, mas não consigo, e não gosto, de definir se o ano foi bom ou ruim como ouço muitas pessoas avaliarem por aí. Sempre acho que os anos tem momentos bons e ruins, e é impossível, ou até mesmo injusto, atribuir a ele um rótulo de vilão ou mocinho.


E o ano de 2014 não foi diferente, houveram alguns momentos muito difíceis e outros de extrema alegria, e os aprendizados foram enormes. Aprendi muito sobre marketing, e como as grandes empresas definem seus orçamentos para esse fim. Aprendi que bons relacionamentos profissionais valem muito mais que qualquer conhecimento técnico. Confirmei o que já sabia, que Brasileiros, não importa em que condição, deixam tudo para a última hora, atrapalhando todo um planejamento detalhado da realização de um evento para mais de 300 pessoas.


Aprendi sobre tributos estaduais e federais...não que isso sirva pra muita coisa. Aprendi que uma Copa do Mundo pode ser muito poderosa.


Percebi que carregava mágoas e que elas me asfixiavam durante a noite, não me deixando dormir. Percebi que eu tinha medo (e ainda tenho) de ser verdadeira. Um aprendizado para continuar vivenciado no ano que vem.

Aprendi que Santiago do Chile não está mais alto que São Paulo, era apenas eu que estava muito fora de forma quando cheguei por lá. Aprendi sobre a história da Bolívia e da origem do orgulho de seu povo. E também sobre os Maias e os Astecas, sobre a Revolução Cubana, sobre arte e arquitetura, e lembrei porque um dia escolhi a minha profissão.


Entendi que persistência e paciência andam juntas, e são indispensáveis pra alcançar qualquer objetivo pessoal ou profissional. Experimentei arepas, suco de lulo, enchiladas, esquites, e uma série de outros sabores que aguçaram ainda mais meu paladar.


Aprendi nos hostels, a dormir com barulho, com luz, no frio, no calor, e desenvolvi toda uma técnica para tomar banho que pode ser adaptada à qualquer condição. Aprendi a respeitar costumes de diferentes culturas, num eterno exercício de relevar meus próprios preconceitos.


Conheci pessoas doces, corajosas, atenciosas, de coração bom, com histórias de vida incríveis e ganhei grandes amigos. Comprovei que sou uma menina de muita sorte, que tenho os melhores amigos do mundo, e que eles estarão sempre ao meu lado nas mais estapafúrdias decisões que eu tomar. Aprendi que eles não precisam estar fisicamente ao meu lado para que o nosso amor continue a existir. Percebi que os melhores momentos são aqueles em que posso compartilhar com as pessoas que amo, mas que momentos sozinha são extremamente importantes para alimentar a minha alma.


Aprendi sobre empreendedorismo social, e um pouco mais sobre a realidade do nosso país, e que essa realidade pode ser ainda pior em outros países da América Latina.


Melhorei muito o meu espanhol, e percebi que esqueci muito do francês e do italiano que um dia estudei.
Aprendi mais com as pessoas do que em qualquer livro ou sala de aula.


Vivi, senti, pensei, analisei, mudei de ideia, mudei de opinião e mudei os planos. Tive medo e criei coragem. Chorei. Quis chorar e não consegui, quis não chorar e não consegui. Fiquei com raiva de mim, dos outros. Perdoei à mim e aos outros. Amei, sofri de amor, escondi o amor, fingi que ele não existia. Ainda estou aprendendo a amar...


Foi o ano que tomei uma importante decisão na minha vida, a de pedir demissão e viajar o mundo. Foi o ano em que aprendi, aprendi, aprendi.


E ESSE foi o ano da Marina! Sou extremamente grata por tudo o que aconteceu. E que venha 2015!







quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Europa Parte I

Cheguei em Frankfurt num dia frio de inverno, depois de quinze dias de calor em Cuba. Só essa chegada, e o impacto de sair de um lugar como Cuba para aterrissar num país como a Alemanha, daria um post inteiro de reflexões, pensamentos e sensações. Mas depois de Frankfurt fui ainda para Barcelona, Amsterdã, Roterdã, Bruxelas e agora estou no trem a caminho de Luxemburgo, por isso vou tentar resumir nesse texto um pouco de tudo que vi e vivi nesse primeiro mês pela Europa.
Eu sabia que a imigração na Europa podia ser um pouco difícil, pois eu não tinha uma passagem para retornar ao meu país, e ainda pretendia ficar um longo período em território europeu. Estava preparada, mas mesmo assim sempre acho um pouco tenso todo esse processo. O rapaz da polícia foi bem educado apesar de austero. Me encheu de perguntas sobre o que eu pretendia fazer e principalmente como tinha conseguido dinheiro para fazer essa viagem. Só deixou eu seguir depois de acessar o site do CTE, minha antiga empresa, e ver que havíamos trabalhado na construção dos estádios da Copa, e aí ele concluiu que a empresa tinha faturado muito dinheiro com a FIFA, e eu consequentemente. Bom, isso não é bem verdade, mas se isso era o que ele queria pra me deixar entrar, tudo bem. Eu sorri e concordei com sua afirmação.
Sai do aeroporto, o céu estava cinza, frio e por todos os lados eu via propagandas, lojas, sinais de modernidade, bem diferente de qualquer cidade em Cuba. Estava de volta no primeiro mundo. Frankfurt é uma cidade bonita, moderna. Caminhei pelas ruas do centro, por alguns parques, cheguei na margem do rio principal, atravessei a ponte cheia de cadeados de casais apaixonados e fui visitar o Museu de Arquitetura. O Museu foi uma adorável surpresa. Estava acontecendo uma exposição sobre os modernos edifícios da cidade, de como foram construídos e de como a cidade foi planejada. Gostei! Principalmente por me lembrar, que apesar de há muito tempo não ter contato com a arquitetura, eu ainda me interesso e gosto de tudo aquilo que diz respeito a “arte de projetar”. Voltei feliz e muito pensativa para o hostel. Será que eu havia deixado de lado todo esse meu lado “artista”? Será que se eu mexesse nos arquivos do passado eu ainda conseguiria acessar esse meu conhecimento? A dúvida ficou no ar.
No outro dia embarquei com destino à Barcelona. Essa era a terceira vez que estava indo para a cidade, e a principal razão dessa viagem era rever um grande amigo.
Barcelona é uma cidade que vibra, tem vida nas ruas, e isso para mim, é o que mais me fascina. Com certeza é uma cidade para se viver, no sentido literal da palavra. Saindo pelas ruas, a cada esquina há uma surpresa. Um centro cultural, um museu, um bar, um restaurante, um parque, ou simplesmente um lugar agradável para descansar ou apreciar. E além de tudo tem a praia, ali do lado, dando aquele ar especial para a cidade.
Passei uma semana por lá, hospedada no apartamento do meu amigo, o que fez toda a diferença, já que há muito tempo não dormia em uma “casa”. Na estada na cidade fiz muitos programas legais. Fomos, eu e meu amigo, à exposição Gênesis do Sebastião Salgado, que eu já tinha visto em São Paulo, mas que dessa vez foi ainda mais especial, pois no dia seguinte assistimos ao filme de sua vida, Sal da Terra. Foi um combo e tanto! Uma experiência incrível e inesquecível. Da exposição e do filme surgiram horas e mais horas de filosofias e pensamentos sobre a vida, a humanidade e o mundo.
Fomos também à um show de chorinho, para reconectar com a cultura brasileira. E ainda fui ao Festival de Cinema Independente de Barcelona, assistir à um filme turco, muito interessante, chamado I’m not him, sobre um homem que decidi viver a vida de uma outra pessoa. O filme me inspirou a escrever o post passado, Falsidade Ideológica, e obviamente a pensar um pouco sobre isso.
Para finalizar minha estada pela cidade fui à Fundação Miró. Passei quatro horas fazendo a visita guiada, e foi incrível aprender um pouco mais sobre a vida desse artista. Mais um milhão de questionamentos e reflexões sobre a vida e sobre o nosso papel na sociedade surgiram nessa tarde.
Acho que Barcelona foi mais um daqueles lugares marcantes dessa viagem. A cidade, as companhias, e principalmente as horas de conversas e reflexões sobre tudo o que vivi até agora, e sobre o que me espera daqui pra frente, me fizeram sair de lá fortalecida e muito feliz por tudo o que vivi naqueles dias pela cidade.
De Barcelona peguei um avião com destino à Amsterdã. Também não era a minha primeira vez na cidade, e fui pra lá encontrar com um outro amigo que estava passando alguns dias de férias. Fazia muito mais frio do que Barcelona, e os primeiros dias foram bem congelantes.
Passei seis dias com o meu amigo caminhando pelas ruas da cidade. Aliás, descobri, se é que eu já não sabia, que eu realmente gosto de caminhar. Caminhar é o melhor jeito de conhecer a cidade, além de assim economizar alguns trocados e ainda perder algumas calorias. Acho que caminho no mínimo uns 5 kms por dia, mas tenho certeza que em alguns devo caminhar bem mais que isso.
Descobri, caminhando, que Amsterdã tem os parques mais lindos que eu já conheci. O parque que ficava próximo ao hotel que estávamos hospedados, chamado Rembrandtpark, ganharia o título de parque mais bonito segundo a minha avaliação. E além dos parques a cidade é repleta de restaurantes deliciosos, não teve um só dia que não comemos muito bem. Aproveitamos para visitar o museu do Van Gogh e fazer a visita guiada. Foi uma excelente visita e inúmeros aprendizados da vida desse artista.
De Amsterdã peguei um trem com destino a Roterdã. Achei que seria interessante conhecer uma outra cidade na Holanda, e eu não estava enganada. Roterdã é uma cidade linda e me surpreendeu por suas ruas e sua arquitetura. Parece que a cidade toda saiu de um daqueles projetos de urbanismo e paisagismo que estudei ou projetei durante a faculdade. Tudo está lá, os espaços bem pensados, os detalhes de mobiliário urbano, o paisagismo, os edifícios novos compondo com os edifícios antigos restaurados, uma maravilha! A cidade tem um dos maiores portos do mundo, o que ainda dá mais personalidade para a cidade, e tem museus incríveis, provavelmente é possível passar uma semana inteira lá indo aos diferentes museus. Eu resolvi visitar um museu de design em que estava tendo uma exposição dos 50 anos do 007, além de uma exposição sobre a vida do Rudolf Steiner, o criador do método pedagógico Waldorf, que tem escolas espalhadas pelo mundo todo. Adorei as duas exposições.
No dia seguinte resolvi visitar o Museu da Fotografia e ver uma exposição do Mark Cohen, um fotógrafo americano com um modo muito peculiar de tirar fotos, muito próximas ao objeto fotografado. De novo muito interessante.
Além de tudo isso, há ainda na cidade um mercado muito moderno, construído para abrigar várias bancas de produtos locais. Comi um delicioso Stroopwafle, feito na hora, quentinho. Uma delícia!
Deixei Roterdã numa manhã ensolarada, ainda admirada com o tráfego de bicicletas, de como os holandeses estão acostumados à isso, falando no celular ou comendo, ao mesmo tempo que pedalam com suas crianças pequenas indo para a escola ou ao trabalho.
Meu próximo destino era Bruxelas. Fui novamente de trem. Só a viagem de trem, passando pelas pequenas cidades e vilarejos do caminho já bastariam. A vista das casinhas de tijolos, com seus telhados inclinados, com seus moradores tranquilos, passando de bicicleta ou caminhando por baixo de árvores sem folhas, é por si só uma viagem. Ver fragmentos da vida dessas pessoas, e imaginar como é viver ali, morar naquela casa, andar por aquele caminho, pode fazer a mente viajar longe e criar histórias incríveis.
Viajar de trem tem muitas vantagens, além de ser uma viagem única, é muito fácil. Em quinze minutos ou menos, comprei uma passagem e estava dentro do trem para a Bélgica. Cheguei lá num sábado à tarde, a cidade estava lotada de turistas, e eu havia decidido fazer o mesmo que em Roterdã, não reservar nenhum hostel. Peguei o endereço de um, que ficava há uns dois kms da estação de trem e fui caminhando, entre os turistas, pelas ruas antigas da cidade.
O problema é que era sábado e o hostel em questão estava lotado. Me indicaram um outro há uns dois quarteirões dali. Caminhei mais um pouco, cheguei no segundo local que também estava lotado. Tira a mochila, que nessas alturas já estava pesando uma tonelada, senta um pouco, toma um café com biscoito oferecido pela recepcionista e pensa no que fazer. A moça da recepção muito prestativa resolveu telefonar para alguns outros hostels e depois de alguns minutos voltou com a excelente notícia de que tinha conseguido uma cama pra mim em um hostel do outro lado da cidade. Sem problemas! Coloco de novo a mochila nas costas e atravesso toda a cidade, dessa vez de metrô porque, à essa altura, já estava destruída.
Resolvi sair para conhecer a cidade. Era sábado à noite e estava tendo um show de luzes Natalino na praça principal, onde fica o palácio. Tentei chegar perto, mas era simplesmente impossível. Um milhão de pessoas se acotovelavam na praça para tentar tirar uma foto do incrível show de luzes. Decidi comer um chocolate em uma das ruas repletas de lojas só de chocolate, onde é impossível comer um só!
No dia seguinte estava me preparando para sair em direção à um museu, quando conheci um menino de Bangladesh na recepção do hostel. Começamos a conversar, decidimos sair pra tomar um café e terminamos num bar da cidade conhecido por ter mais de 2000 rótulos de cerveja. Experimentamos uns 5 tipos de cerveja belga, e acabamos passando o dia juntos, passeando pela cidade e no final jantando num delicioso restaurante. Foi mais um dia sensacional.
Agora estou no trem, deixando a Bélgica para conhecer um pequeno país chamado Luxemburgo. Acho que nunca imaginei que viria até aqui, mas é mais uma dessas surpresas que a vida e uma viagem como essa pode oferecer. Depois de Luxemburgo volto à Amsterdã para embarcar para Dublin encontrar uma amiga querida, e depois de Dublin vou para a Itália, encontrar a família para as festas de final de ano! Não vejo a hora!
P.S: Nesse exato momento estou sentada no meu quarto no hostel em Luxemburgo, depois de ter passado a manhã caminhando pelas ruas da cidade. Estou tomando um vinho francês, J.P. Chenet, que paguei menos de dois euros, e olhando a vista na janela. Vejo parte da muralha que envolve a cidade, um prédio muito antigo que abriga um hospício, e muitas árvores quase sem folhas, de cores marrom e verde escuro. A cidade é surpreendente, muito mais linda do que eu podia imaginar. Parece uma cidade de um filme medieval. Estou vendo a hora em que a rainha aparecerá na janela do castelo em minha frente e acenará para mim.
Frankfurt


Barcelona

Amsterdam



Rotterdam

Bruxelas



Luxemburgo